O avanço do sarampo em diferentes países das Américas levou o Brasil a reforçar as medidas de vigilância epidemiológica e vacinação para evitar que o vírus volte a estabelecer transmissão contínua no território nacional. A preocupação aumenta diante do cenário registrado nos Estados Unidos, que apresentam em 2026 o maior número anual de casos em mais de 35 anos.
Até 5 de outubro, o Brasil havia confirmado 52 casos importados de sarampo neste ano. São Paulo concentra 41 registros, seguido pelo Amazonas, com dez, e pelo Rio de Janeiro, com um caso. Apesar das ocorrências, o país continua sem circulação endêmica da doença.
A estratégia adotada pelas autoridades inclui identificação rápida de casos suspeitos, investigação epidemiológica, acompanhamento das pessoas que tiveram contato com infectados e vacinação de bloqueio. As ações também foram ampliadas em locais de grande circulação de pessoas.
Vacinação é principal forma de prevenção
O Ministério da Saúde reforça que a vacinação continua sendo a principal medida para impedir a reintrodução e a disseminação do sarampo. O imunizante é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e pessoas que estejam com doses atrasadas devem procurar uma unidade de saúde para verificar a necessidade de atualização da caderneta.
Em 2025, a cobertura da primeira dose da vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola, chegou a 93,10% no país. Em São Paulo, o índice foi de 94,39%, enquanto no Amazonas ficou em 89,54%.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Unicef, o número de crianças brasileiras que não receberam nenhuma dose de determinadas vacinas caiu cerca de 86% entre 2023 e 2025. Mesmo assim, o Ministério da Saúde alerta que ainda existem crianças sem vacinação, o que mantém a necessidade de busca ativa e atualização das cadernetas.
Situação internacional aumenta atenção
O cenário brasileiro é acompanhado de perto por causa da expansão do sarampo em outros países. Nos Estados Unidos, mais de 90% dos casos registrados estão relacionados a pessoas não vacinadas ou sem informação sobre o histórico de imunização.
Na América Latina e em outros pontos do continente, Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram mais de 95% dos casos confirmados em 2026, segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
O Brasil já enfrentou uma situação semelhante recentemente. Em 2019, mais de 20 mil casos foram registrados em meio à redução das coberturas vacinais. Após mais de um ano de transmissão, o país perdeu a certificação de eliminação do sarampo.
A certificação foi recuperada em novembro de 2024, quando a OPAS reconheceu novamente o Brasil como país livre da circulação endêmica do vírus.
Fronteiras também estão no radar
A vigilância ganhou atenção especial nas regiões de fronteira, onde o intenso deslocamento internacional aumenta a possibilidade de entrada de casos importados. Na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, o Ministério da Saúde já reforçou ações de vacinação, investigação de casos suspeitos, coleta de amostras e monitoramento de contatos.
A orientação das autoridades é que a população mantenha a vacinação em dia, principalmente crianças, adolescentes e pessoas que tenham histórico vacinal incompleto. A manutenção de altas coberturas é considerada fundamental para impedir que casos trazidos de outros países provoquem novas cadeias de transmissão no Brasil.
