Fiscal aposentado investigado por corrupção recebe R$ 186 mil e vive nos EUA

Alvo da Operação Ícaro, Alberto Toshio Murakami está foragido e teve nome incluído na lista da Interpol. Foto: Reprodução

O fiscal aposentado da Receita Estadual de São Paulo Alberto Toshio Murakami, de 63 anos, conhecido como “Americano”, recebeu cerca de R$ 186 mil líquidos em proventos desde agosto de 2025, mesmo estando foragido da Justiça.

Denunciado pelo Ministério Público no âmbito da Operação Ícaro, Murakami é suspeito de integrar um esquema de corrupção ligado ao ressarcimento irregular de ICMS a grandes empresas do varejo e atacado. Ele reside atualmente em Clarksville, nos Estados Unidos, em um imóvel de alto padrão avaliado em cerca de R$ 7 milhões.

Em nota ao jornal Estadão, a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo informou que os pagamentos seguem a legislação vigente e que não há previsão legal para a suspensão dos proventos durante investigações ou processos administrativos. A pasta destacou, no entanto, que a aposentadoria poderá ser cassada caso as irregularidades sejam comprovadas em Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

Pagamentos detalhados

Dados do Portal da Transparência indicam que Murakami recebeu valores mensais entre aproximadamente R$ 18 mil e R$ 43 mil líquidos desde agosto de 2025, incluindo períodos em que já estava foragido. Em fevereiro, não há registro de pagamento, mas os repasses voltaram a subir em março.

Foi nesse mesmo mês que, por meio da defesa, o fiscal informou à Justiça que não pretende retornar ao Brasil, alegando possuir um “projeto de vida” nos Estados Unidos. Investigadores avaliam a postura como um desrespeito ao Judiciário.

Esquema bilionário

Segundo as investigações, Murakami atuava na análise de pedidos de ressarcimento de ICMS-ST e teria favorecido empresas mediante pagamento de propina. Ele é apontado como um dos integrantes de um esquema liderado por Artur Gomes da Silva Neto, suspeito de arrecadar cerca de R$ 1 bilhão em vantagens ilícitas.

O fiscal também teria ligação com o empresário Aparecido Sidney Oliveira, dono do Grupo Ultrafarma, que teria sido beneficiado no esquema.

Artur Gomes da Silva Neto está preso desde a deflagração da operação, em agosto de 2025. Ele chegou a negociar um acordo de delação premiada, mas as tratativas não avançaram.

Foragido internacional

Desde janeiro, Murakami integra a lista de Difusão Vermelha da Interpol, por decisão da Justiça de São Paulo. A inclusão permite sua localização e eventual prisão em outros países.

A defesa afirma que a mudança para os Estados Unidos ocorreu como parte de um plano de vida após a aposentadoria e destaca que o investigado possui residência fixa e família no exterior.

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