Mesmo sendo uma das principais cidades do Paraná e um dos maiores destinos turísticos do país, Foz do Iguaçu recebeu apenas R$ 37,1 milhões em emendas parlamentares federais entre 2023 e 2026. O valor expõe a baixa articulação política do município em Brasília e também problemas administrativos internos que acabaram travando a liberação de recursos importantes para a cidade.
As informações foram encaminhadas pela Prefeitura à Câmara Municipal em resposta a um requerimento do vereador Balbinot. O relatório mostra que, do total destinado ao município, apenas R$ 23,2 milhões foram efetivamente pagos.
Parte significativa das verbas ficou bloqueada por “impedimentos técnicos”, principalmente devido a pendências da Prefeitura no CAUC — sistema do Tesouro Nacional que funciona como um cadastro de regularidade fiscal obrigatório para municípios receberem transferências voluntárias da União.
Segundo a própria administração municipal, os problemas surgiram após a implantação de um novo sistema interno de gestão, o que comprometeu o andamento de projetos e a regularização documental necessária para liberação das verbas.
Entre os recursos travados estão:
- R$ 2,1 milhões para compra de máquinas e equipamentos agrícolas;
- R$ 2,1 milhões para obras de qualificação viária;
- R$ 960 mil para mobilidade urbana;
- R$ 376 mil destinados à Feira Internacional do Livro;
- recursos para programas esportivos como “Viver Esporte” e “Vida Ativa”.
Somadas, apenas as emendas já classificadas como bloqueadas por questões técnicas ultrapassam R$ 5,8 milhões.
O levantamento também mostra concentração dos recursos em poucos parlamentares. A maior emenda foi indicada pelo deputado Vermelho, com R$ 9,2 milhões destinados à construção do Ginásio do Cidade Nova. O deputado Sargento Fahurtambém aparece entre os parlamentares que mais enviaram recursos para o município.
Outros nomes citados no relatório incluem Sergio Moro, Gleisi Hoffmann, Beto Richa, Diego Garcia, Aliel Machado e Leandre.
Além da baixa captação, parte das obras segue parada, lenta ou ainda em análise, como o prolongamento da Avenida Pedro Basso e o portal de entrada da cidade.
O documento reforça um cenário de fragilidade política e administrativa que vem comprometendo investimentos em áreas estratégicas como infraestrutura, mobilidade, esporte, turismo e cultura em Foz do Iguaçu.
