A Comissão Especial de Cheias da Itaipu Binacional mantém o monitoramento permanente dos rios Paraná e Iguaçu, cujos níveis vêm subindo rapidamente em decorrência das fortes chuvas na região. Na tarde desta segunda-feira (12), o rio Paraná atingiu a cota de 116,13 metros acima do nível do mar na estação de medição da Ponte da Amizade.
No lado brasileiro, a cheia já atingiu o Porto de Areia, no bairro Porto Meira, em Foz do Iguaçu. As residências da região começam a ser afetadas quando o rio alcança a cota de 119 metros acima do nível do mar. Até o momento, as previsões não indicam que o nível chegue a esse patamar.
A Defesa Civil acompanha a situação há vários dias e intensificou o monitoramento dos níveis dos rios. O órgão também orienta empresas e moradores de áreas ribeirinhas a adotarem medidas preventivas e, se necessário, deixarem antecipadamente os locais sujeitos a alagamentos e inundações.
No lado paraguaio, a Assessoria de Responsabilidade Social da Itaipu, responsável pela coordenação dos trabalhos de evacuação, já prestou assistência a mais de 100 famílias do bairro San Rafael afetadas pelas inundações. As equipes continuam auxiliando na retirada de pertences e no transporte de moradores para locais seguros, com o apoio das Forças Armadas, da Marinha Nacional, da Secretaria de Emergência Nacional (SEN), de voluntários e de integrantes da comunidade.
*Atuação preventiva da Itaipu*
A Itaipu vem adotando medidas para reduzir os impactos da cheia, incluindo o monitoramento permanente das chuvas, a avaliação de estratégias operacionais para amortecer o pico da cheia, a emissão antecipada de alertas e a retirada preventiva de famílias de áreas de risco.
Um dos fatores que influenciam a elevação do nível do rio Paraná é o aumento expressivo da vazão do rio Iguaçu, que deságua no Paraná a jusante da usina. Quando o volume de água do Iguaçu aumenta, há uma redução na capacidade de escoamento do Paraná no trecho da confluência, o que contribui para elevar ainda mais o nível do rio. Esse fenômeno é conhecido como efeito de remanso.
A Itaipu tem controle sobre a vazão liberada pelo reservatório, mas não sobre as águas do rio Iguaçu. Dessa forma, mesmo com a adoção de medidas preventivas, as chuvas intensas nas bacias dos dois rios podem provocar elevações rápidas no nível do rio Paraná.
“Nas últimas 72 horas, foram registradas chuvas intensas, com acumulados próximos de 200 mm em algumas estações de medição na bacia do rio Iguaçu e superiores a 100 mm em estações localizadas na área de influência do reservatório de Itaipu. Diante desse cenário, estamos utilizando todos os recursos operacionais disponíveis para minimizar os impactos da cheia sobre a população”, explica o engenheiro Paulo Zanelli Jr., coordenador da Comissão Especial de Cheias da Itaipu.
O engenheiro ressalta ainda que, desde a segunda quinzena de setembro, vêm sendo registrados episódios de chuvas significativas nas bacias hidrográficas de interesse de Itaipu, em um cenário influenciado pelo fenômeno El Niño.
A Itaipu segue acompanhando as condições hidrológicas e atualizando as previsões, em articulação com os órgãos responsáveis, para orientar as medidas necessárias e contribuir para a segurança das populações potencialmente afetadas.
