Itaipu Binacional deve integrar o plano estratégico do Codesul para os próximos 20 anos

. Foto: Jonathan Campos/AEN Objetivo do plano integrado é criar um diagnóstico regional que identifique

. Foto: Jonathan Campos/AEN

Objetivo do plano integrado é criar um diagnóstico regional que identifique as agendas que cada governo deve promover para melhorar a qualidade de vida e potencializar o desenvolvimento econômico da região Sul (mais o Mato Grosso do Sul). Convite foi formalizado pelo governador Ratinho Junior ao diretor-geral brasileiro da Itaipu, João Francisco Ferreira.

Os governadores do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, e do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, que representam dois dos quatro estados que compõem o Conselho de Desenvolvimento de Integração Sul (Codesul), estão articulando a participação da Itaipu Binacional no plano de desenvolvimento integrado do bloco até 2040.

Um dia após o encontro que definiu o planejamento estratégico, os dois governadores se reuniram nesta quarta-feira (16), em Foz do Iguaçu, com o diretor-geral brasileiro da Itaipu, João Francisco Ferreira, e com o diretor de Coordenação da usina, Luiz Felipe Carbonel. Eles formalizaram o convite para que a binacional integre o grupo de trabalho que vai elaborar as propostas voltadas para o desenvolvimento dos quatro estados pelos próximos 20 anos. Além do Paraná e Mato Grosso do Sul, o Codesul é formado também por Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Divulgado na terça-feira (15), durante reunião do grupo em Porto Alegre, o objetivo do plano integrado é criar um diagnóstico regional que identifique as agendas que cada governo deve promover para melhorar a qualidade de vida e potencializar o desenvolvimento econômico da região. A ideia é que, a longo prazo, o plano transforme a união dos quatro estados em uma “OCDE brasileira” – referência à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Além de ter um papel estratégico na matriz energética nacional, a Itaipu é também grande parceira dos governos regionais, principalmente do Paraná, onde está instalada. “A Itaipu tem grande importância para o desenvolvimento do Brasil como um todo, mas em especial desses estados. Como presidente do Codesul, trago esse convite para que a empresa ajude, com sua estrutura e conhecimento, nesse planejamento que elaboramos para a região para os próximos 20 anos”, destacou Ratinho Junior.

“A usina tem grande conhecimento nas áreas ambiental, de sustentabilidade, preservação dos rios e cuidados da fauna e flora, além da questão energética, que é estratégica para o desenvolvimento dos estados nas próximas décadas”, salientou o governador.

O diretor-geral de Itaipu destacou a proximidade da companhia com os estados da região e a futura participação da usina nesse planejamento. “O Codesul busca nosso apoio e cooperação técnica de Itaipu pela experiência que temos na gestão ambiental e em tantas outras áreas. Será muito bom para a Itaipu também se mostrar presente na assessoria técnica e de orientação nesses estados nas ações que já fazemos aqui no dia a dia”, afirmou Ferreira.

PLANO – As ações do plano são estruturadas dentro de quatro pilares: uso intensivo de dados públicos, análise dos planos governamentais de médio e longo prazos, mobilização de especialistas regionais para aprofundamento de focos de ação prioritários e atuação articulada entre equipes do Codesul e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremos Sul (BRDE).

Com a aprovação, o plano passa a ser executado através de uma consultoria técnica, que vai definir os eixos prioritários e propor indicadores e metas a serem acompanhados. A fase atual é de análise, identificando as peculiaridades da região. Na sequência, o grupo deve construir a visão de futuro regional para os próximos 20 anos. Por fim, a última fase detalha quais passos devem ser seguidos para atingir os objetivos. O planejamento foi realizado pela empresa de consultoria em gestão MacroPlan.

Governadores do Paraná e do Mato Grosso do Sul participaram de agenda na Itaipu. Foto: Jonathan Campos/AEN

MEIO AMBIENTE – Além da contribuição na região como um todo, Paraná e Mato Grosso do Sul também buscam apoio em projetos ambientais que impactem nos municípios lindeiros do lago de Itaipu. O governador Reinaldo Azambuja apresentou projetos elaborados pelo Estado para a revitalização das bacias dos rios Iguatemi e Amambaí, afluentes do rio Paraná.

“Itaipu pode contribuir com a questão ambiental, na mitigação de assoreamento do lago e na melhoria da qualidade da água, com a ampliação do esgotamento sanitário na área de intervenção da usina”, explicou Azambuja. “Os dois afluentes do rio Paraná estão muito assoreados, com detritos que acabam chegando no lago e interferem na geração de energia”.

O Governo do Paraná e a Sanepar, em parceria com a Itaipu Binacional e o Parque Tecnológico Itaipu (PTI-BR), já estão aplicando R$ 84,6 milhões em projetos de segurança hídrica e saneamento ambiental. Os dois convênios, sacramentados em dezembro de 2020, vão beneficiar doze municípios.

INFRAESTRUTURA – No Paraná, a parceria do Governo do Estado com a hidrelétrica na área da infraestrutura garante investimentos de mais de R$ 1 bilhão. Entre as obras em andamento financiadas pela usina, o destaque é para a construção da segunda ponte Brasil-Paraguai, em Foz do Iguaçu, que já chegou a 57% de execução e recebe investimento de R$ 323 milhões.

Também há as obras na Rodovia Perimetral Leste, que vai ligar a BR-277 à nova ponte, somando R$ 174 milhões; a duplicação da Rodovia das Cataratas (BR-469), no valor de R$ 139,4 milhões; e a pavimentação da Estrada Boiadeira (BR-487), que liga Umuarama ao Mato Grosso do Sul, cujo investimento no lote atual é de R$ 223,8 milhões.

Uma terceira ponte ligando o Brasil ao Paraguai também será construída no Mato Grosso do Sul, ligando o município de Porto Murtinho (MS) à cidade de Carmelo Peralta, no País vizinho. A obra será construída com recursos do lado paraguaio de Itaipu. O processo licitatório será reaberto em julho.

Esta ponte e a Estrada Boiadeira integram a rota bioceânica, a conexão entre portos brasileiros e chilenos que poderá reduzir em até duas semanas o tempo de viagem das exportações do Centro-Oeste do Brasil até os países do Oriente, principalmente China, Japão e Coreia do Sul.

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