Relatório dos EUA destaca Tríplice Fronteira como área crítica do tráfico de drogas

Documento internacional destaca papel do Brasil no narcotráfico e alerta para atuação do PCC dentro e fora do país. Foto: Polícia Federal/Divulgação

Um relatório do governo dos Estados Unidos divulgado em 2025 aponta o Brasil como uma rota estratégica para o narcotráfico internacional. Segundo o documento, o país se destaca por sua posição geográfica, fazendo fronteira com grandes produtores de cocaína, como ColômbiaPeru e Bolívia.

Além de corredor de escoamento, o Brasil também aparece como um dos maiores mercados consumidores de drogas do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. O relatório destaca ainda a alta demanda interna como um dos desafios enfrentados pelas autoridades brasileiras.

PCC é apontado como principal ameaça

De acordo com o International Narcotics Control Strategy Report (INCSR), o Primeiro Comando da Capital (PCC) é considerado a principal ameaça à segurança nacional.

Segundo dados da Polícia Federal, a facção atua em 22 dos 27 estados brasileiros e mantém presença em pelo menos 16 países, incluindo os Estados Unidos. O documento ressalta a alta capacidade de articulação e expansão internacional do grupo, além das dificuldades das autoridades em conter seu avanço.

Queda nas apreensões acende alerta

O relatório também aponta que houve redução nas apreensões de drogas no Brasil até março de 2025, em comparação com o ano anterior. Para o governo norte-americano, isso pode indicar adaptação de rotas por parte dos traficantes, maior sofisticação das organizações criminosas ou limitações operacionais das forças de segurança.

Apesar disso, operações recentes demonstram a dimensão do problema. Agentes da Polícia Federal apreenderam cerca de 2,2 toneladas de cocaína no estado do Amazonas, em uma das maiores apreensões já registradas na região amazônica.

Tríplice Fronteira e preocupação internacional

Outro ponto de atenção é a região da Tríplice Fronteira, onde o Brasil faz divisa com Paraguai e Argentina. Segundo o relatório, a área concentra redes ilícitas que, além do tráfico, estariam ligadas ao financiamento de grupos como o Hezbollah.

Lavagem de dinheiro e fragilidades

O documento também destaca fragilidades estruturais no combate à lavagem de dinheiro e à corrupção. O intenso fluxo de recursos provenientes do tráfico e do contrabando indicaria brechas no sistema financeiro brasileiro.

“O crime organizado, incluindo a corrupção pública, é a principal prioridade das autoridades no combate à lavagem de dinheiro, seguido pelo tráfico de drogas e armas”, aponta o relatório.

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