Saúde de Foz entra em alerta com hospitais superlotados e falta de leitos

Conselho Municipal de Saúde compara cenário a períodos de emergência e cobra plano de contingência para enfrentar pressão sobre a rede Foto Reprodução


A situação da saúde hospitalar em Foz do Iguaçu acendeu um sinal de alerta. O Conselho Municipal de Saúde (Comus) afirma que a superlotação dos hospitais deixou de ser um episódio isolado e passou a se repetir com frequência, aumentando a pressão sobre pacientes, profissionais e toda a rede pública.

O presidente do Comus, Kalid Omairi, compara o momento atual a períodos críticos enfrentados pelo município durante a epidemia de dengue e a pandemia de Covid-19. Para o Conselho, a cidade precisa de um plano de contingência para evitar que a sobrecarga avance sem uma resposta coordenada.

Entre os principais problemas apontados estão a falta de leitos de retaguarda, o aumento das transferências para outras cidades e o crescimento das reclamações relacionadas ao atendimento.

Um dos episódios mais recentes ocorreu no sábado (15), quando o Hospital Itamed informou que os serviços de urgência de cardiologia e oncologia estavam acima da capacidade. Às 21h, eram 21 pacientes para 16 vagas disponíveis, representando ocupação de 131,25%.

Com a unidade sem condições de absorver novos pacientes, houve orientação para que os atendimentos fossem direcionados a outros serviços da rede.

Hospital Municipal já registrou 22 alertas

A situação também preocupa no Hospital Municipal Padre Germano Lauck. Segundo o diretor-geral da unidade, Áureo Ferreira, o hospital já emitiu 22 alertas de superlotação em 2026.

Os alertas são acionados quando a entrada de pacientes supera a capacidade de liberação de leitos, criando um efeito de acúmulo dentro da unidade.

Para o Comus, a frequência dos episódios mostra que a rede precisa de medidas permanentes de organização, e não apenas de respostas emergenciais a cada novo pico de atendimento.

“A gente não pode viver de apagar incêndio na saúde”, afirmou Kalid Omairi à Rádio Cultura.

Pacientes são transferidos para outras cidades

Outro fator que preocupa o Conselho é o aumento das chamadas regulações externas, quando pacientes precisam ser encaminhados para atendimento fora de Foz do Iguaçu.

Segundo o Comus, a falta de acesso em tempo real ao sistema de regulação dificulta uma avaliação completa do cenário, mas os dados solicitados pelo órgão indicam aumento das transferências.

Um dos casos relatados envolve três pacientes que precisavam realizar procedimentos endoscópicos em Foz, mas foram encaminhadas ao Hospital Universitário de Cascavel.

Conforme o Conselho, as pacientes permaneceram entre dois e três dias aguardando atendimento, não realizaram os exames e acabaram retornando a Foz do Iguaçu, onde os procedimentos foram realizados posteriormente.

Reclamações disparam

A pressão sobre o sistema também aparece nos números da Ouvidoria.

O Comus informa que recebeu cerca de 27 demandas em 2024. A partir de maio de 2025, o volume se aproximou de 100 registros. Já entre janeiro e agosto de 2026, foram contabilizadas mais de 130 reclamações e demandas.

Os casos passaram a ser analisados pelo Conselho levando em consideração a situação clínica dos pacientes, posição nas filas, prioridades médicas e legais e o cumprimento das metas previstas no planejamento municipal de saúde.

Diante do aumento das reclamações, o Comus ampliou os canais de atendimento e aprovou a criação de um Conselho Gestor no Hospital Itamed.

Município diz que acompanha a situação

A Secretaria Municipal de Saúde informou que acompanha a situação do Hospital Itamed e mantém articulação com a unidade, a 9ª Regional de Saúde e a Central Estadual de Regulação.

Segundo a Secretaria, o atendimento pelo SUS não foi suspenso nem encerrado. A pasta classifica o episódio como um esgotamento temporário da capacidade assistencial e afirma que a solução depende da atuação integrada entre os diferentes setores responsáveis pela regulação e atendimento.

O Comus pretende acompanhar as medidas discutidas com o Ministério Público e a 9ª Regional de Saúde. Dependendo dos próximos resultados, o Conselho poderá levar a discussão à Câmara Municipal, ao Tribunal de Contas e a outras instâncias de fiscalização.

O cenário coloca em evidência um problema que vai além da superlotação momentânea: a capacidade da rede hospitalar de Foz para absorver a demanda crescente e garantir atendimento adequado aos pacientes.


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