O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A decisão também alcançou o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.
A medida está relacionada à crise envolvendo as investigações sobre o Banco Master e à divulgação de documentos de inteligência atribuídos à Polícia Federal. Mendonça, que é relator do caso no STF, afirmou ter sido alvo de monitoramento por mais de 30 dias.
Segundo a decisão, pelo menos seis relatórios de inteligência teriam sido produzidos com informações sobre o ministro entre os dias 3 e 31 de agosto. Mendonça considerou a situação grave e determinou o afastamento preventivo dos dois dirigentes da Polícia Federal.
A decisão ocorreu após a divulgação de um relatório que levantava suspeitas sobre o andamento das investigações relacionadas ao Banco Master. O documento teria indicado um possível direcionamento das apurações contra pessoas ligadas politicamente ao ministro.
Mendonça também questionou a autenticidade do material, destacando que o documento não possui identificação oficial, assinatura ou elementos que permitam confirmar sua autoria e data de produção.
O episódio ampliou o conflito entre integrantes do Supremo em torno das investigações. Na semana passada, Alexandre de Moraes havia encaminhado informações ao presidente da Corte, Edson Fachin, após apontar possíveis irregularidades relacionadas à atuação de Mendonça.
O caso envolve ainda mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que teria mantido contato com Moraes. O ministro nega ter tido qualquer relação com o empresário.
A Polícia Federal ainda não havia se manifestado oficialmente sobre o afastamento de seus dois principais dirigentes até a publicação da decisão.
