Uma pesquisa acadêmica desenvolvida na Universidade Federal da Integração Latino-Americana identificou condições de forte desconforto térmico em pontos de ônibus de Foz do Iguaçu, com possíveis riscos à saúde de quem utiliza o transporte coletivo.
O estudo analisou diferentes estruturas distribuídas pela cidade e aponta que cerca de 20 mil pessoas utilizam o sistema diariamente, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Durante a espera, especialmente em dias de calor, foram registradas temperaturas elevadas nas superfícies urbanas: até 70°C no asfalto, 60°C nas calçadas e valores próximos a 60°C nas coberturas dos abrigos.
Ao todo, foram catalogados mais de 1.200 pontos de ônibus, com 16 tipos diferentes de estruturas, classificados conforme características como cobertura, fechamentos laterais e ventilação. Entre os principais problemas identificados estão o uso de materiais que acumulam calor, a falta de sombreamento adequado, baixa circulação de ar e pouca arborização no entorno.
A pesquisa também ouviu usuários do transporte coletivo. A maioria relatou desconforto térmico tanto no verão quanto no inverno, além de apontar falhas na manutenção e na limpeza dos espaços.
Como solução, o estudo propõe medidas de baixo custo, como a adoção de coberturas com vegetação, uso de materiais com menor absorção de calor, ampliação da arborização e ajustes no design das estruturas para melhorar a ventilação e o sombreamento. Simulações indicam que essas intervenções podem reduzir a temperatura interna dos abrigos em até 6°C.
Levantamentos anteriores da própria universidade já haviam destacado a precariedade da infraestrutura dos pontos de ônibus como um dos principais desafios do transporte coletivo em Foz do Iguaçu. Especialistas apontam que a melhoria desses espaços pode aumentar o conforto dos usuários e incentivar o uso do sistema na cidade.
