A elevação do Rio Paraná mobiliza autoridades e aumenta a preocupação com áreas vulneráveis na Tríplice Fronteira. A previsão de que o nível alcance 121 metros acima do nível do mar nesta quarta-feira (14) mantém o sinal de alerta em Foz do Iguaçu e em cidades paraguaias próximas às margens.
O avanço das águas já provoca consequências do outro lado da fronteira. Em Ciudad del Este, cerca de 170 famílias do bairro San Rafael precisaram deixar suas casas diante do risco de alagamentos. A situação reforça a preocupação com moradores que vivem em regiões suscetíveis às oscilações do rio.
A elevação está associada ao volume de chuvas nas bacias que alimentam o reservatório de Itaipu e o Rio Iguaçu. Com mais água chegando ao sistema, o comportamento do rio exige acompanhamento permanente para avaliar a necessidade de novas medidas preventivas.
Vertedouro opera com duas calhas
Na terça-feira (13), a Itaipu Binacional abriu uma segunda calha do vertedouro para ampliar o escoamento de água do reservatório. A decisão acompanha as condições hidrológicas e os procedimentos operacionais da usina.
Entre 11h e 12h, a vazão vertida aumentou de 10,5 milhões para 11,3 milhões de litros por segundo, indicando a intensificação da liberação de água.
A abertura do vertedouro não significa necessariamente que haverá inundação. O risco depende de diferentes fatores, como o volume de chuvas, a quantidade de água que chega ao reservatório e as condições do próprio Rio Paraná.
Foz mantém atenção em pontos próximos às margens
No lado brasileiro, o monitoramento contempla locais próximos ao rio, como o Porto de Areia, a região do Catamarã, o Iate Clube Cataratas e o Clube Amambay.
A situação exige atenção mesmo quando não há previsão de retirada de moradores em território brasileiro. A mudança das condições climáticas e hidrológicas pode alterar o cenário, principalmente em áreas mais baixas.
Moradores e frequentadores devem evitar locais inundados, respeitar possíveis interdições e acompanhar as orientações dos órgãos de proteção e defesa civil.
Histórico de cheias reforça a necessidade de prevenção
Grandes enchentes registradas em 1983, 1992 e 2014 permanecem como referência para a região. Esses episódios demonstram o impacto que períodos de chuva intensa podem provocar nas cidades próximas ao Rio Paraná.
Enquanto o nível das águas segue sob observação, a prioridade é acompanhar a evolução da cheia e reduzir os riscos para as comunidades mais expostas. A situação em Ciudad del Este mostra que os efeitos já ultrapassam o monitoramento preventivo e exigem medidas concretas de proteção à população.
