A presença feminina no Congresso Nacional vai alcançar um novo patamar a partir de 2027. As eleições de 2026 ampliaram o número de mulheres eleitas para a Câmara dos Deputados e para o Senado, estabelecendo recordes históricos nas duas Casas.
Na Câmara, 109 mulheres foram eleitas para a próxima legislatura, contra 90 no pleito de 2022. O crescimento é de aproximadamente 21%. Mesmo com o avanço, elas representarão pouco mais de um quinto das 513 cadeiras da Casa.
O aumento ocorreu em um cenário de redução no número de candidaturas femininas. Em 2022, 3.317 mulheres disputaram vagas de deputada federal. Neste ano, foram 2.820 candidatas, uma queda de 24%.
No Senado, o resultado também foi expressivo. Das 54 vagas colocadas em disputa, 12 ficaram com mulheres, o maior número de senadoras eleitas desde a redemocratização. A partir do próximo ano, a Casa deverá contar com 18 mulheres entre os 81 senadores, o equivalente a 22,2% das cadeiras.
Recorde não significa igualdade
Apesar do crescimento, a representação feminina continua distante de uma divisão equilibrada entre homens e mulheres no Legislativo. Na Câmara, as mulheres ocuparão cerca de 21% das cadeiras, enquanto no Senado a participação ficará pouco acima de 22%.
O resultado também mostra que o aumento da presença feminina não significa, necessariamente, uma atuação parlamentar uniforme em relação às pautas ligadas aos direitos das mulheres.
A diversidade de posições políticas entre as eleitas pode produzir diferentes interpretações e prioridades dentro da própria bancada feminina. Assim, o crescimento numérico representa uma mudança importante na composição do Congresso, mas não permite concluir, por si só, que haverá maior aprovação de determinadas políticas voltadas às mulheres.
Mulheres negras avançam na Câmara
Outro destaque das eleições foi o crescimento da presença de mulheres negras na Câmara. Levantamento da organização Mulheres Negras Decidem aponta que pelo menos 15 mulheres negras foram eleitas para a Câmara em 2026, contra nove em 2022.
No Senado, porém, o cenário foi diferente. Nenhuma das 12 mulheres eleitas neste ano é negra. Com isso, a representação de mulheres negras continua sendo um dos pontos de baixa presença na composição da Casa.
A próxima legislatura, portanto, terá uma bancada feminina maior, mas ainda marcada por desigualdades de gênero e raça. O resultado das urnas amplia a presença das mulheres no Congresso, ao mesmo tempo em que mantém o debate sobre representatividade como um dos desafios da política brasileira.
