Uma operação da Polícia Civil deflagrada nesta segunda-feira (27) prendeu seis integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) suspeitos de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro com infiltração em prefeituras.
Além das prisões, foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão. As ações ocorreram em diversas cidades, incluindo São Paulo, Guarulhos, Santo André, Mairinque, Campinas, Ribeirão Preto e Santos, no estado de São Paulo, além de Goiânia e Aparecida de Goiânia (GO), Brasília (DF) e Londrina, no Paraná.
A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 513 milhões em bens e ativos ligados aos investigados.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, os nomes dos suspeitos e as prefeituras envolvidas não foram divulgados. A operação, batizada de Contaminatio, é conduzida pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes e é um desdobramento da Operação Decurio, realizada em agosto de 2024.
Na ocasião, segundo a polícia, foram apreendidos dispositivos eletrônicos que revelaram um complexo sistema de movimentação financeira ilícita.
As investigações apontam que a facção estruturou um esquema para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas e outras atividades criminosas por meio do fluxo financeiro de prefeituras. O grupo também teria criado um “núcleo político” com o objetivo de influenciar eleições, apoiando ou financiando candidaturas alinhadas aos interesses da organização.
“O que se apurou foi uma estrutura sofisticada, que buscava não apenas lucrar com atividades ilícitas, mas também se infiltrar em esferas do poder público para potencializar esses ganhos e dar aparência de legalidade aos recursos”, afirmou o delegado Fabrício Intelizano, responsável pelo caso.
A investigação também identificou a tentativa de inserção de uma fintech ligada ao grupo criminoso para operar serviços financeiros de prefeituras, como emissão de boletos e gestão de receitas municipais.
Segundo a secretaria, há indícios de envolvimento de pessoas ligadas a administrações municipais, incluindo ao menos uma servidora comissionada que mantinha relação com um integrante de alto escalão da facção. Os presos não ocupavam cargos eletivos, mas atuavam por meio de indicações políticas em cidades da Baixada Santista, ABC Paulista, Campinas e Ribeirão Preto.
